Dilma Rousseff vai ao Congresso, três anos após o impeachment

Ex-presidente foi ovacionada em seminário na Câmara pela soberania nacional e contra as privatizações
A ex-presidente Dilma Rousseff participou de evento com a presença dos ex-candidatos à presidência da República, Guilherme Boulos e Fernando Haddad Foto: Daniel Marenco

BRASÍLIA – Exatos três anos e seis dias depois da última vez em que havia pisado no Congresso, para ser interrogada no processo de impeachment que a destituiu da Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) foi nesta quarta-feira à Câmara dos Deputados participar de um seminário pela soberania nacional e contra as privatizações propostas pelo governo Jair Bolsonaro (PSL). A recepção dos aliados foi calorosa. E não faltaram menções ao que seu grupo político classifica como o golpe parlamentar de 2016.

Antes da chegada da ex-presidente, pouco antes das 10h, parlamentares petistas e outros partidos de esquerda aguardavam na Chapelaria do Congresso, principal acesso ao prédio, pela Esplanada dos Ministérios. Presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) foi a primeira a abraçar Dilma, que entrou sob aplausos. O ex-prefeito de São Paulo e candidato ao Palácio do Planalto no ano passado, Fernando Haddad, também estava lá, e dividiu o protagonismo do evento.

Dilma foi ovacionada de pé ao ser anunciada pelo mestre de cerimônias do evento, no maior auditório da Câmara, lotado, como “a mulher guerreira que venceu a ditadura, que enfrentou o golpe e que agora vai construir conosco o novo Brasil”.

– Dilma, guerreira do povo brasileiro – gritou repetidamente a plateia.

Ao longo das quase quatro horas do seminário, a ex-presidente foi uma das mais assediadas para fotos ou cumprimentos. Quando chegou a sua vez de discursar, falou por mais de 30 minutos. Focou seu pronunciamento em uma defesa enfática da manutenção da Petrobras sob o controle do Estado, sustentando sua opinião com termos econômicos.

Ela também aproveitou para disparar críticas ao neoliberalismo e ao atual presidente. Bolsonaro, segundo Dilma, é um expoente do “neofascismo”.

– Por que é neo? Porque geralmente os partidos fascistas eram nacionalistas e esse grupo que está no poder não tem o menor compromisso com a nação. Portanto, não tem compromisso com sua soberania – declarou a petista.

No trecho mais descontraído de seu discurso, Dilma lembrou da primeira vez em que, “do ponto de vista emocional”, percebeu o tamanho do Brasil. Relatou o “tempão” que levou voando até uma plataforma de petróleo, em 2006, acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-diretor da Petrobras Guilherme Estrella, que estava assistindo ao seminário. Ao contar a história, referiu-se ao funcionário da estatal como agrônomo e foi corrigida pela plateia.

– Agrônomo não, gente, geólogo. Mas também a gente erra – disse Dilma, sorrindo, provocando aplausos. – Tá onde? O Estrella é tímido? Levanta, Estrella – pediu a ex-presidente, sendo atendida.

Depois de citar a grandeza da floresta amazônia –“aquele mar verde, caiu ali, cê tá lascado, né?”-, ela se emocionou ao lembrar de quando “o pessoal” se forma e diz que tem um diploma e é universitário.

– São coisas que eu tive certeza que eu tava fazendo alguma coisa de boa ao dirigir, e eu tenho muita honra disso, o Brasil durante o meu período. Muito obrigada – concluiu, sendo novamente ovacionada e saudada como “guerreira do povo brasileiro”.

FONTE: https://oglobo.globo.com/brasil/dilma-rousseff-vai-ao-congresso-tres-anos-apos-impeachment-23926926?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo


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