Aposentada vira jogadora de Pokémon Go e relata melhora de depressão: ‘voltei a sorrir’

Diagnosticada com depressão, Francisnete Cardoso, de 60 anos, chegou a ficar sem sair de casa, mas hoje vive outra realidade. ‘Para muita gente é só um jogo, mas foi o que devolveu a alegria à minha mãe’, resume a filha.
Idosa diz que jogar a ajudou a voltar a sorrir — Foto: Fabrício Araújo/G1 RR

“Foi um divisor de águas. Depois que comecei a jogar, voltei a sorrir”, resume Francisnete de Almeida Cardoso, uma aposentada de 60 anos, que em meio a uma crise de depressão encontrou uma saída inesperada: virou jogadora de Pokémon Go.

Diagnosticada com a doença há pouco mais de um ano, ela conta que baixou o aplicativo, que se tornou febre mundial em 2016, por influência do filho e desde que começou a capturar monstrinhos achou a motivação que faltava para sair de casa.

Considerada o mal do século, a depressão já afeta 11 milhões de pessoas no Brasil e 300 milhões em todo o mundo.

“O Pokémon Go me distrai muito. Quando estava muito agoniada em casa, para não ficar tomando remédios e nem recorrendo o tempo todo ao psiquiatra, fui me apoiando nos pokémon. Agora, consigo me entender e entender mais sobre doença”, resume.

A aposentada enfrenta a depressão desde agosto de 2018, mesmo mês em que foi diagnosticada com um adenoma (tumor benigno) no cérebro.

Na época, o filho mais novo, de 24 anos, precisou acompanhá-la às consultas médicas e atrasou a formatura na faculdade. Com isso, Francinete começou a se culpar, teve crises depressivas e passou a fazer tratamento psiquiátrico.

“Um dia estava voltando do shopping com o meu filho e comecei a chorar. Então ele instalou o Pokémon Go no meu celular na tentativa de me animar. Eu não tinha noção do que era. Quando começou a aparecer os ‘desenhos bonitinhos’, comecei a gostar e pronto, a ‘velha’ viciou”, brinca.

Agora, Francisnete conta que já não toma mais remédios durante o dia e às vezes, só se medica a noite. Ela ainda faz tratamento com especialista, mas garante que o aplicativo foi a saída para que melhorasse seu bem estar. O efeito positivo que o Pokémon Go causa em pessoas depressivas já foi notado por pesquisadores.

“Minha mãe não sorria mais. Era estranho para nós que somos filhos e conhecíamos a alegria que ela sempre teve. Ela não tinha vontade de tomar banho, tinha vezes em que nem tomava tomar café”, conta a filha mais velha da aposentada, Sweney de Lira Cardoso, de 29 anos. “Depois de começar no Pokémon Go ela melhorou muito. Pra muita gente é só um jogo, mas foi o que devolveu alegria à minha mãe”, afirmou.

Na avaliação da psiquiatra Raquel Pereira, a melhora de Francisnete ocorreu porque ela ampliou o campo de interesses quando deixou de focar somente no cérebro e na vida da acadêmica do filho, dando espaço para novas atividades: o jogo, neste caso

“Quanto mais restrita é a nossa vida de interesses e atividades, maior é a chance de adoecer a partir do momento que alguma coisa não vai bem. O ideal é ampliar o campo de interesses, ter hobbys, trabalho, relacionamentos pessoais, pratica de atividades físicas, etc”, pontuou, ao alertar que tudo deve ser feito com moderação, para evitar dependência e consequentemente outros tipos de transtornos.

Francisnete jogando Pokémon Go na Praça Ayrton Senna — Foto: Valéria Oliveira/G1 RR
Francisnete jogando Pokémon Go na Praça Ayrton Senna — Foto: Valéria Oliveira/G1 RR

O Pokémon Go e a rotina de Francisnete

Francisnete joga religiosamente todos os dias. Pelas regras do jogo, ela está a caminho de se tornar uma mestre nas capturas: está no nível 36 e acumula 7,5 milhões de pontos de experiência, o XP- para um mestre pokémon é necessário chegar ao nível 40, acumulando 20 milhões.

Além disso, coleciona espécies raras dentro do jogo, como Milotic da terceira geração e possui alguns shinys (versões brilhantes e com cores diferenciadas dos monstrinhos).

“Fui a primeira a pegar o Rayquaza shiny em Boa Vista”, diz ela, orgulhosa do feito. Durante o tratamento da doença, ela tem “capturado” não só os pokémon, mas também novos adeptos ao jogo. “Até um enfermeira joga por minha causa. Meu médico acha o máximo”, disse.

Na rotina entre tratar o tumor no cérebro, a depressão, e afazeres do dia a dia, ela ainda encontra tempo para traçar estratégias e avançar no corrida aos monstrinhos. “Às vezes escondo incensos (item do jogo que atrai pokémon) e uso antes de dormir”.

Ovos chocam por quilometragem caminhada no jogo — Foto: Reprodução/Pokémon Go
Ovos chocam por quilometragem caminhada no jogo — Foto: Reprodução/Pokémon Go

O Pokemón Go é jogo de realidade aumentada que foi lançado em 2016. A brincadeira possui uma mecânica que conta os passos dos usuários e oferece recompensas por quilômetros caminhados durante o período de uma semana. Ovos com pokémon também chocam a partir distâncias caminhadas.

Além de incentivar os jogadores a realizarem caminhadas, o Pokémon também dá recompensas por missões que precisam ser feitas em grupos, assim como outras interações como as trocas de pokémon e envio de presentes para amigos.

“Eu tenho 60 anos, mas brinco no meio de um garotada que poderiam ser meus netos e não dá confusão. O jogo me ajudou muito, é divertimento e estou sempre jogando com eles [jogadores mais novos]”

Francisnete e um de seus pokémon favoritos, Espeon da segunda geração de monstrinhos — Foto: Fabrício Araújo/G1 RR
Francisnete e um de seus pokémon favoritos, Espeon da segunda geração de monstrinhos — Foto: Fabrício Araújo/G1 RR

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2019/10/02/aposentada-vira-jogadora-de-pokemon-go-e-relata-melhora-de-depressao-voltei-a-sorrir.ghtml

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